YALI #1: Como tudo começou

Tudo começou no Fórum de Lançamento do Programa Mandela Washington Fellowship for Young African Leaders Initiative [YALI], uma iniciativa do Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

Foi num final de tarde de uma quarta-feira, precisamente no dia 7 de Outubro de 2015. Podia ser uma quarta normal, se não tivesse de pedir ao meu chefe para me deixar sair mais cedo, para assistir a um evento de cariz pessoal.

Sim! Era o Fórum de Lançamento do Programa Mandela Washington Fellowship para Jovens Líderes Africanos 2016 – Young African Leaders Initiative [YALI]. Organizado pela Embaixada dos Estados Unidos em Cabo Verde, teria lugar às 16:00, no Salão de Banquetes da Assembleia Nacional, e eu não poderia faltar!

A correr, como sempre, entrei no carro, retoquei a maquilhagem, certifiquei-me de que estava vestida como uma líder e, lá segui até à Assembleia Nacional. A caminho, as dúvidas iam desconcentrando-me. Por um lado, tinha o meu instinto que me dizia que deveria me candidatar. Por outro, a razão dizia-me que se calhar deveria esperar mais um ano, para amadurecer as minhas ideias!

De novo, o meu instinto gritava: “mas como esperar para o próximo ano, se até lá o Presidente Barack Obama já não será o Presidente dos EUA? Sério? As motivações não serão as mesmas oh parvalhona!”. 

YALI: O Sonho

Nesses sobressaltos de pensamentos, entretanto, cheguei à Assembleia Nacional. A sala já estava composta, lá me sentei, ansiosa por ouvir os Yali Fellows de 2015 a falar. Na verdade, procurava, desenfreadamente, por um empurrão que me dissesse: “Sim candidata-te! YES YOU CAN!”

De repente, comecei a ouvir os testemunhos dos Yalis de 2015 presentes: o Joel Almeida, a Graça Sanches e a Nádia Marçal! Já nem me lembro bem da ordem! Só me lembro de ter ficado arrepiada quando o Joel começou a sua intervenção. Por instantes, achei que o meu afro havia duplicado na cabeça de tanta emoção!

Sim, o Joel que eu via quase todos os dias ali no GCI, mas que mal tinha tido oportunidade de perguntar sobre o programa! Porque, na verdade, tinha algum receio de perguntar esse tipo de informações. Pois em Cabo Verde tudo é associado a cunha e, se eu conseguisse o feito de ser selecionada, não queria ser apontada como tendo sido ajudada por fulano ou sicrano.

Quando o Joel, ao longo da sua apresentação nos disse que, quando ele se candidatou, havia decidido submeter a sua candidatura horas antes do final do prazo, o meu instinto começou de novo a espernear: “Vês, se ele conseguiu enviar a candidatura em horas, tu também consegues! Aliás, tens mais de um mês para preparar a tua! Vá lá! Decide-te!”.

Eu (também) sou capaz

Sim! Na verdade, acabara de decidir! Comecei a idealizar a minha estadia numa universidade americana! Comecei a imaginar-me lá bem de perto, na cimeira com o Presidente Barack Obama a falar para nós em primeira pessoa! Idealizei-me a apertar as mãos dele!

Idealizei-me a conviver com colegas africanos, tal como explicou a Nádia, e do quão sortuda ela se sentia enquanto cabo-verdiana no grupo dela! A Graça falou do trabalho comunitário e como se sentiu em casa! Era tudo tão eu, que tinha de me candidatar! Sim, acabara de decidir! E assim terminou o Fórum, tendo seguido o período de networking/cocktail!

Estava nervosa. Porém, não hesitei em ir falar com cada um dos Yalis dos anos anterior que lá estavam! Estava verdadeiramente impressionada com as suas apresentações! Quando lhes falei dos meus receios, foram todos unânimes na resposta: “Candidata-te sim! Apenas tens de ser ti própria ao responder às questões!”

No cocktail, ainda pude falar com o Alfredo de Pina – F16, também ele um Yali Fellow, que tem inspirado vários jovens cabo-verdianos enquanto jovem líder. Ele incentivou vivamente a me candidatar! Eles podem não ter a noção disso, mas as palavras de cada um, individualmente, incentivaram-me e de que maneira!

Estava decidido! Fui para casa, determinada que queria me candidatar! O Fórum tinha revelado ser o tal “pontapé na bunda” de que necessitava para dissipar todas minhas dúvidas!

Dormi sobre o assunto durante uma ou duas semanas. Tempo que eu precisava para organizar todos os meus projetos e lá arranjar tempo para começar a explorar os formulários na página do Yali! E assim estava dado o primeiro passo. Decidir se me candidataria ou não. Esse foi o início de uma longa jornada!

Lê a página dois deste diário.

Um beijinho no coração.

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